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Resultados Que Você Nem Sabe Que Tem: Por Que Tanta Gente Não Reconhece o Próprio Valor

Tem uma estatística que eu repito com frequência nas minhas mentorias, e ela nunca deixa de me impressionar: cerca de 90% das pessoas que passam pela formação não reconhecem os próprios resultados.

Não é falta de resultado. É falta de reconhecimento.

E aqui está a diferença que muita gente não enxerga: uma coisa é não ter feito nada relevante. Outra, bem diferente, é ter feito e não acreditar que aquilo conta.

O problema não é o currículo, é a crença por trás dele

Quando alguém me diz “eu não tenho nada de resultado pra colocar”, a primeira coisa que eu faço não é abrir o editor de texto. É fazer perguntas.

E quase sempre, em poucos minutos, aparece alguma coisa. Um processo que ficou mais rápido. Uma equipe que passou a se organizar melhor depois de uma iniciativa dela. Um cliente que voltou a comprar porque ela resolveu um problema de atendimento. Situações que existiram, geraram impacto real, e que a própria pessoa nunca chamou de resultado.

Por que isso acontece? Porque reconhecer um resultado exige, antes de tudo, acreditar que você é capaz de gerar impacto. E é exatamente aí que mora a barreira.

Quem carrega a crença de “não sou boa o suficiente” ou “o que eu sei fazer não é relevante” não filtra as próprias experiências buscando resultados. Filtra buscando motivos para se sentir menor.

Automerecimento não é frescura, é combustível

Existe uma expressão que uso bastante: automerecimento. Não é sobre ego. É sobre a pessoa se permitir enxergar o próprio valor sem inflar nem diminuir.

Pensa num piloto que completou um voo longo, em condições difíceis, e pousou em segurança. Se esse piloto sair do comando dizendo “não fiz nada de mais, qualquer um faria”, ele está sendo modesto, mas está distorcendo a realidade. Manter o avião estável durante turbulência exige competência real. Da mesma forma, manter uma equipe funcionando, resolver um conflito difícil ou organizar um processo que estava bagunçado também exige competência real, mesmo que quem fez isso não more no mundo do RH.

A questão não é criar um currículo inflado de conquistas que não existiram. É parar de apagar as que existiram só porque a pessoa não confia em si mesma o suficiente para nomeá-las.

Como isso aparece na prática

Um padrão se repete comigo o tempo todo, dentro do PDR, o Projeto para Desenvolver Recrutadores, curso de extensão universitária reconhecido pelo MEC: alguém está escrevendo o próprio currículo, chega numa experiência antiga e escreve algo genérico tipo “responsável por atividades administrativas”. Quando eu pergunto que atividades eram essas, aparece uma reorganização completa de um setor, uma redução de retrabalho, uma solução criada do zero para um problema que ninguém tinha resolvido antes.

A pessoa sabia fazer. Só não sabia que aquilo tinha valor.

E o mesmo padrão se repete na entrevista de emprego. Nem todo recrutador vai aprofundar pergunta por pergunta em cada experiência do currículo. Muitos seguem um roteiro padrão, superficial. Se o candidato não trouxer o resultado por conta própria, de forma clara, ele corre o risco de nunca ser descoberto.

Por isso não basta ter feito. Precisa saber contar.

Três perguntas para destravar o automerecimento

Antes de escrever qualquer experiência no currículo ou preparar uma resposta de entrevista, vale parar e se perguntar:

  • O que mudou, mesmo que pouco, depois que eu comecei a fazer isso?
  • Alguém precisou de menos tempo, menos esforço ou menos dor de cabeça por causa do que eu fiz?
  • Se eu não tivesse feito aquilo, o que teria acontecido de diferente?

Essas perguntas ajudam a enxergar o resultado que estava escondido atrás da palavra “responsabilidade”.

O que fica dessa reflexão

Ninguém decola sozinho acreditando que não sabe pilotar. Reconhecer o próprio resultado não é vaidade, é o combustível necessário para seguir a rota da transição de carreira com confiança.

Antes de dizer que não tem nada de relevante pra mostrar, pare e pergunte: será que eu simplesmente nunca aprendi a enxergar o que eu já fiz?


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Sobre a autora

Magá Koster é especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, recrutadora, mentora e fundadora da RHMais Talentos. Há mais de 20 anos atua em recrutamento e seleção, desenvolvimento profissional e formação de recrutadores. É idealizadora do PDR – Projeto para Desenvolver Recrutadores, curso de extensão universitária reconhecido pelo MEC, e do Carreira RH em Destaque, treinamento gratuito voltado para profissionais que desejam iniciar ou se recolocar na área de RH.

Magá Koster

CEO da RhMais Talentos, especialista em Gestão de Pessoas e mentora. Referência na capacitação de recrutadores e recolocação profissional, é criadora do PDR, transformando carreiras com foco em prática e resultados

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Magá Koster

CEO da RhMais Talentos, especialista em Gestão de Pessoas e mentora. Referência na capacitação de recrutadores e recolocação profissional, é criadora do PDR, transformando carreiras com foco em prática e resultados